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Cinco erros de pipetagem que podem arruinar os resultados

Técnicos, pesquisadores e analistas usam diversas pipetas no dia a dia sem muita dificuldade e muitas vezes sem treinamento. As pessoas tendem a achar que as micropipetas são equipamentos que não necessitam de muitos cuidados e boas práticas.

 

“Isso é um pouco preocupante tendo em vista que a pipeta é um instrumento de medição de precisão e mais de 90% dos ensaios passam por ela em alguma etapa. Entendendo um pouco mais sobre como uma micropipeta funciona essa preocupação pode ser explicada, pois ela sofre influência de fatores como temperatura, pressão, umidade, tipo de líquido, entre outros”, comenta Yuri Mizusawa.

Basicamente existem dois tipos de pipetas, com deslocamento de ar (mais comuns e conhecidas) e deslocamento positivo (pode haver divergências nos termos).

A pipetagem considerada ideal tem como base o usuário, o equipamento e a técnica. A influência do usuário é de acordo com o aprendizado, ou seja, quanto mais praticar, melhor será o resultado. Equipamentos e técnicas têm características que devem ser consideradas dependendo da situação.

O tipo de pipeta que sofre maiores variações é a de deslocamento de ar. A explicação para isso está na camada de ar que regula a subida do líquido, que é muito influenciada por fatores como pressão atmosférica, profundidade de imersão da ponteira, volatilidade, densidade, viscosidade, entre outros. O fato de o ar ser elástico faz com que o controle de entrada-saída de líquidos não seja preciso, pois, por exemplo, líquidos mais densos ou viscosos passam com dificuldade. No entanto, a pipeta de deslocamento positivo não sofre influência desses fatores, pois o controle do líquido é feito por contato direto do pistão com o líquido.

 

Cinco erros de pipetagem que podem arruinar os resultados

1. Profundidade errada de imersão da ponta: a profundidade correta de imersão da ponta pode aumentar a precisão em até 5%. A ponta deve ser imersa entre 1-2 mm, para pipetas de volume micro, e até 3-6 mm para pipetas normais, dependendo do tamanho da ponta. Se a ponta for imersa muito rápido, o volume de gás nela é comprimido, fazendo com que muito líquido seja aspirado.

2. Ângulo incorreto de pipetagem: o ângulo de imersão da ponta da sua pipeta na amostra deve ser o mais vertical possível, e não deve desviar mais de 20 graus do vertical. Um ângulo mais horizontal faz com que muito líquido seja levado para a ponta, resultando em aspiração imprecisa. Por exemplo, em um ângulo de 30 graus na vertical até 0,7%, muito líquido pode ser aspirado.

3. Ritmo inconsistente de pipetagem: utilize um ritmo consistente de pipetagem entre as amostras. Evite se apressar ou a operação rápida, e obtenha um ritmo para cada etapa no ciclo de pipetagem.

4. Dispensação inconsistente: maior precisão e reprodutibilidade para cada amostra podem ser obtidas ao garantir que a última gota é totalmente dispensada e não adere à extremidade da ponta. Para a maioria das aplicações, é recomendado dispensar com a extremidade da ponta que está contra a parede do recipiente, pois reduz ou elimina a quantidade remanescente da amostra na ponta. Essa técnica pode aumentar a precisão em 1% ou mais.

5. Falha no pré-enxague: dispensar o líquido de uma pipeta deixa uma camada do líquido na ponta, tornando o volume expelido um pouco menor do que realmente deveria ser. Pré-enxaguar uma nova ponta, pelo menos duas vezes com o líquido a ser usado, irá condicionar a parte interna da ponta.

 

Transcrito Por: Julio Cezar Sary

fonte: labNetwork